Um Japão estrangeiro e um estrangeiro no Japão – parte 1

por Denis Silva

O texto nem começou e eu já usei a palavra estrangeiro duas vezes (ops, três!), por quê? Porque talvez essa seja a sensação mais marcante de uma viagem ao arquipélago mais distante do mundo (pelo menos para nós brasileiros!). Entrar num trem do enorme metrô de Tóquio e perceber que você é o único estrangeiro e que todos sabem disso, procurar um lugar para comer em Quioto e ter de se arriscar com um prato que você não faz ideia do que seja, receber presentes e favores de pessoas desconhecidas e ficar sem saber como agir, perder-se por ruas cujo nome você não sabe ou não consegue ler, embarcar num trem ridiculamente pontual, tudo isso faz parte dos prazeres de viajar por esse país maravilhoso!

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Creio que sete anos seriam suficientes para conhecer tudo que há nesse país, mas, como isso não é possível para quase todos, comento a seguir algumas coisas de que mais gostei na Terra do Sol Nascente.

Quioto:

Com seu bairro de gueishas (cuja elegância, aliás, é de cair o queixo) e seus enormes templos, a antiga capital do império é um mar de atrações para japoneses e estrangeiros, então prepare-se para dividir cada centímetro com os animadíssimos turistas japoneses. Na chamada montanha oriental (Higashiyama), há tantos templos budistas e xinto (as duas religiões do país), que é impossível ver todos. A dica aqui é pegar um mapa, rasgá-lo em mil pedacinhos (só não os jogue no chão, onegai), afinal você vai se perder de qualquer jeito, e caminhar nas ruas estreitas, com casas de madeira, de vez em quando parando para contemplar seus templos, pagodes, jardins, puxadores de riquixá (carroças puxadas a mão) e gueishas. Não deixe de entrar nas lojinhas de presentes e quem sabe tomar um sorvete ou comer um docinho de feijão, enquanto descansa.

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Disse que é bom e legal se perder em Higashiyama, mas há coisas tão belas e interessantes que vale a pena o esforço de procurar por algumas delas. O exemplo mais for-God’s-sake-you-must-see-it é o Kiyomizu-dera, templo budista cuja construção data do século XVII e apresenta uma varanda enorme sustentada por colunas que se projetam em direção à cidade, e o Kinkaku-ji, ou pavilhão dourado, que resplandece sobre as águas de um pequeno lago ao seu redor, com jardim japonês.

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Esses provavelmente não são os lugares mais contemplativos (pois há muita gente), mas com um pouco de tempo e paciência, você consegue encontrar um lugar tranquilo para sentar, observar e meditar.

Arashiyama, por sua vez, é uma região a oeste de Quioto. Depois de descer de um pequeno trenzinho, você se sente como se tivesse voltado no tempo! As ruas largas ao redor do rio, o cheiro da vegetação, o barulho dos sininhos de vento, o ar fresco, tudo isso nos transporta para uma era em que a opção era a vida simples. Se for visitar o vilarejo, não deixe de passar no Monkey Park Iwatayama, uma reserva de preservação do macaco japonês. Lá é possível alimentar os bichinhos enquanto observa toda a cidade de uma posição privilegiada. Caminhe um pouco mais até o centro da vila e de lá passeie por um bosque de bambus. Lá o vento forma uma verdadeira música nos galhos das árvores.

Semana que vem tem a segunda parte dessa viagem, não perde!

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